Minha maior preocupação agora é encontrar o Pogobol laranja e amarelo
e pular bem alto pelo quintal da casa da minha vó.
Lá está o sorriso perdido, a felicidade boba...
E por isso mesmo, a mais real.
Tuesday, 24 July 2007
Thursday, 19 July 2007
O aquário
Às vezes vamos visitar o Aquário de Peixes Ornamentais.
Ficamos ali, imóveis, sem tocar, sem sentir, sem pegar.
Só observando os peixes. Brancos de manchas laranjas, amarelos inteiros,
coloridos com bolinhas artificiais, assustados, animados,
loucamente nadando sem sair do lugar
e sem saber onde tudo aquilo vai dar.
Nos emocionamos vendo isso; rimos, choramos, sincronizamos,
apontamos para o Peixe Beta que de vez em quando
aparece ali e teima em arranjar confusão.
Tudo em volta é escuro e naquela sala só brilha o Aquário.
Estranhos, às vezes, são os peixes - que não sabem e não conseguem
se comunicar claramente. São olhos e bolhas.
No fundo, visitar o Aquário de Peixes Ornamentais é
só um pretexto para ficarmos muito juntos e transarmos a
noite inteira num mar de oceano azul profundo.
Sem peixes. Só nós dois.
Ficamos ali, imóveis, sem tocar, sem sentir, sem pegar.
Só observando os peixes. Brancos de manchas laranjas, amarelos inteiros,
coloridos com bolinhas artificiais, assustados, animados,
loucamente nadando sem sair do lugar
e sem saber onde tudo aquilo vai dar.
Nos emocionamos vendo isso; rimos, choramos, sincronizamos,
apontamos para o Peixe Beta que de vez em quando
aparece ali e teima em arranjar confusão.
Tudo em volta é escuro e naquela sala só brilha o Aquário.
Estranhos, às vezes, são os peixes - que não sabem e não conseguem
se comunicar claramente. São olhos e bolhas.
No fundo, visitar o Aquário de Peixes Ornamentais é
só um pretexto para ficarmos muito juntos e transarmos a
noite inteira num mar de oceano azul profundo.
Sem peixes. Só nós dois.
Monday, 9 July 2007
Filhotes
Dá, mamãe!!!
Filha, eu não vou te dar. É muito grande esse pacote pra você.
Mas são só pipocas...
Mal sabia ela que mamãe estava falando da vida.
Filha, eu não vou te dar. É muito grande esse pacote pra você.
Mas são só pipocas...
Mal sabia ela que mamãe estava falando da vida.
Friday, 6 July 2007
Eu vou
Eu vou aos prantos
Vou aos trancos e barrancos
Mas eu vou
Eu vou de qualquer jeito
Vou com as veias expostas
Com as tripas escorrendo por todos os lados
Vou sem dó, com medo, vomitando de angústia
Mas eu vou
Porque eu sei que posso ir
Posso ir muito mais do que imagino
Eu vou com a alma revirada do avesso
Com todas as verdades se tornando mentiras
Vou sem ninguém acreditar
Vou sem saber cantar
Vou voando, vou correndo
De encontro com algo maior
Muito maior do que eu e minha dor de ir
Mas eu vou
Minhas lágrimas vão secar com o vento
Minha dor vai passar com o nada
Silêncio. Porque eu vou.
Vou aos trancos e barrancos
Mas eu vou
Eu vou de qualquer jeito
Vou com as veias expostas
Com as tripas escorrendo por todos os lados
Vou sem dó, com medo, vomitando de angústia
Mas eu vou
Porque eu sei que posso ir
Posso ir muito mais do que imagino
Eu vou com a alma revirada do avesso
Com todas as verdades se tornando mentiras
Vou sem ninguém acreditar
Vou sem saber cantar
Vou voando, vou correndo
De encontro com algo maior
Muito maior do que eu e minha dor de ir
Mas eu vou
Minhas lágrimas vão secar com o vento
Minha dor vai passar com o nada
Silêncio. Porque eu vou.
Saturday, 30 June 2007
Welcome to party
Seus patins de quatro rodas rolerbleiam pelo piso de tábua larga.
Ela roda e rebola como uma puta deve fazer em dias inspirados de dança em cima do balcão de pontas douradas.
Patina pela tábua e aponta para o mais indefeso dos seres; aquele que provavelmente está com um copo na mão e um sorriso na cara.
Aponta a ponta. Dedos em riste. Olhar perturbador. Lábios pra fora. Dá meia volta com os patins-fetiche. Sua brisa demarca o território. Abandono.
Ela corre atrás da fumaça, mãos e escuros.
Grande pausa para a respiração.
"Your daddy’s rich...", seduz a música. Alguém sussurra em seus ouvidos que "tudo mesmo, que vale a pena ser vivido, acontece, à noite."
Patins flutuantes, rodas pelos ares. Agora é que a festa vai começar.
Get a life. And ring the bells.
Ela roda e rebola como uma puta deve fazer em dias inspirados de dança em cima do balcão de pontas douradas.
Patina pela tábua e aponta para o mais indefeso dos seres; aquele que provavelmente está com um copo na mão e um sorriso na cara.
Aponta a ponta. Dedos em riste. Olhar perturbador. Lábios pra fora. Dá meia volta com os patins-fetiche. Sua brisa demarca o território. Abandono.
Ela corre atrás da fumaça, mãos e escuros.
Grande pausa para a respiração.
"Your daddy’s rich...", seduz a música. Alguém sussurra em seus ouvidos que "tudo mesmo, que vale a pena ser vivido, acontece, à noite."
Patins flutuantes, rodas pelos ares. Agora é que a festa vai começar.
Get a life. And ring the bells.
Wednesday, 20 June 2007
Relances de uma noite mal dormida
Ela olha as luzinhas de natal em volta da cabine do Dj. Não está com vontade de fazer sexo com a pista hoje. Quer olhar e tocar. A luz de neón vermelha que invade o quadro e seus dedinhos dedilhando a luz de cima pra baixo. Só olhar e tocar.
A freirinha aparece dentro de um vidro cheio de água, daqueles que vc. compra o Nova York, balança e sai neve. A freirinha está ali, dentro de uma grande vitrine, misturada às cores, luzes, sons e pessoas. E ela continua a querer só olhar e tocar.
Pena. A freirinha está enclausurada.
E de batom vermelho. Bem vermelho.
A freirinha aparece dentro de um vidro cheio de água, daqueles que vc. compra o Nova York, balança e sai neve. A freirinha está ali, dentro de uma grande vitrine, misturada às cores, luzes, sons e pessoas. E ela continua a querer só olhar e tocar.
Pena. A freirinha está enclausurada.
E de batom vermelho. Bem vermelho.
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