Saturday, 23 June 2012

meu mar.

uma vez me disseram que amor é aquilo que deixamos navegar
sem saber se voltará para nosso porto seguro.
sabemos que seguro ele é, o maior de todos.
aquele que tem beleza, vento e calma.
ficamos ali, com chuva, sol, inverno, verão.
olhamos de perto você, ao mar, longe, longe...
cada vez mais. vai tão profundo que parece ter desaparecido para sempre.
quando em uma noite de neblina e pesar... você volta. 
você sempre volta. 
quantas vezes te escutei dizer que meu colo, meu porto, era o mais bonito de todos, o mais seguro do mundo, o mais interessante e forte e... ah! não sei dizer, meu deus! o que está acontecendo comigo?!
o mais certo de paz e tranquilidade e doçura e...
amor.
novamente você faz suas malas e sai em busca de mares revoltos, pessoas opostas e tempestades mil.
gostamos de tempestades.
entendo você.
choro rios e mares e um minuto depois acalmo, calo profundamente.
como se tivesse certeza de que mesmo viajando por todos os mares do mundo, 
conhecendo todas as tempestades do universo,
você sempre volta para mim.
meu porto.
minha paz.
quando algo é aquilo que é e, irresistivelmente, nos sentimos tragados por isso,
não existe mar no mundo que nos tire do eixo.
amor é deixar ir embora.
como te deixo, como te solto, como chego até a te empurrar.
de ódio. de birra. de graça. de faz de conta.
de sofrer.
de amar. de amar. de amar.
te beijo o rosto e olho como se dissesse 'vai, vai, vai...!
vai brincar de viver, vai brincar de ser feliz,
vai ser o que é, minha alma gêmea tão bem traduzida'.
porque tenho a certeza, no fundo do meu coração, de que você sempre volta.
sempre.
sempre.
sempre.






















* I value this for its associations.

para lembrarmos para sempre da noite do frio, do vinho e do gravador.

Wednesday, 20 June 2012

raia.

tinha um velinho louco, que nadava 300km por hora.
um quase criança que tinha esquecido os óculos em casa e trombava em todo mundo.
fiz 20. como sempre. às vezes me engano e conto duas vezes o mesmo número
para poder fazer mais.
sempre me engano. gosto de me enganar.
sou severa comigo mesma.
no banho passei as mãos entre meus seios como se dissesse 'olá, vou fazer um carinho em você.
porque você merece. não faça isso com você mesma. você é tão bonita. tão tão...'
chuva. frio. ando pela ponte com medo de me jogar. vejo o parque dos skates e as luzes dos faróis.
vento. noite. sempre fui da noite. meu capuz me faz parecer um trombadinha na avenida.
gosto disso. estar à margem. sempre fui da noite. ando como quem vai matar alguém no final do caminho.
sentada, puxo meu canetão e tento pixar alguma coisa no banco.
tristeza. meu canetão acho que quebrou de vez. a ponta porosa está esgarçada por causa do outro muro.
nível de paciência com as senhorinhas da hidroginástica do sesc hoje: - 10.
É. MENOS DEZ.
acho que vou explodir.


Thursday, 14 June 2012

nulo.

não queria escutar mais nada.
nada de que, porque, nada de nada.
simplesmente os forçava a calarem em suas insignificâncias,
mediocridades e companhia.
era tão nulo, tão nada, tão 'adeu, não quero'.
acho que nunca quis. pfff...
cansada de desculpas, complexos e afins,
cantou aos quatro cantos cantáveis da vida:
"minha filha, eu não tô nem aí."


Tuesday, 24 April 2012

cortez, the killer.

é como se ela se atirasse contra o muro a cada vez que isso acontece.
começa brilhando olhos, atravessa correndo, suando, sorri, chora, continua correndo.
sente que um penhasco com um infinito azul bebê estará no final.
acha que pode voar de para-quedas, se jogar com um colchão nas costas,
encontrar um balão colorido que a convida 'vamos?', nadar em dupla pelas nuvens.
mas toda vez que isso acontece, ela se atira contra o muro.
para cada batida, uma música e um arranhão.
para cada batida,
não.
é como se ela se atirasse contra o muro a cada vez que isso acontece.
é como se ela se atirasse contra o muro a cada vez que isso acontece.
é como se ela se atirasse contra o muro a cada vez que isso acontece.


















foto: luh camargo

Thursday, 8 March 2012

derreter.

sombra, fumaça, porão escuro.
"how soon is now" socando as caixas de som.
sua silhueta surgiu contra a luz do canhão de chão.
inferno na torre.
o caos se instaurou.
te vi e dancei como se fosse morrer.
você me contornou como se fosse me beber.
sombra, fumaça, porão escuro.
seus cabelos loiros de anjo.
senti quando me rodeou.
senti quando dançou em mim.
rebolei fingindo estar rezando. para machucar mesmo.
sombra, fumaça, porão escuro.
olhei com olhos de lince.
te deixei achar que me seduzia, quando, na verdade, quem seduzia era eu.
luzes piscantes, não via seu rosto.
eram minhas botas de couro e seus cabelos de anjo, os dois, dançando em meio ao caos.
sombra, fumaça, porão escuro.
senti quando te lacei. senti demais.
descobri que existe música no inferno. inverno.
te arrastei para meu mundo, que naquela noite
der
re
tia.
sombra, fumaça, porão escuro.
dancei para ti como puta e como mãe.
tu, não mudava de ritmo. ritmo zumbi. ritmo hipnotizado.
fechei meus olhos quando te senti perto o suficiente para escutar seu coração,
em meio à sombra, fumaça, porão escuro, bater muito forte:
ESTOU PERDIDO. ESTOU PERDIDO. ESTOU PERDIDO.


Monday, 27 February 2012

screen lips.

tudo de mim
é tudo para você
meus olhos
não aqueles que todo mundo vê
aqueles que só eu vejo
olhos de alma
meus lábios
lábios de palavras singelas
meu sorriso de bailarina
minhas mãos
não aquelas que todo mundo vê
mãos de fada, mãos de afago
meu corpo
meu coração
meus cabelos
minhas lágrimas
minha força
meus medos
minha coragem
não aquela que todo mundo vê
coragem rara, que ninguém tem
tudo de mim
é tudo para você
sou mulher de cinema.