sempre penso que estou chegando no limite do rabo da saia do cachorro de rua.
sempre penso que depois desta lama e caos, a luz chegará para conforto de si mesma em mim.
sempre penso muito.
hoje chorei pela primeira vez.
hoje senti alguém batendo na porta e não pedindo licença para entrar.
aquela coisa louca e desgovernada. em qualquer lugar me acompanha.
porque sou eu. porque faz parte de mim.
hoje quero manter meus olhos abertos até de manhã, até não ter fim, até até até.
quero testar meus limites, ver até onde isso vai. chamar meus pesadelos para beber.
enfiar um tapa na cara de cada um deles, se preciso. acalmá-los com carinho logo depois.
raiva. ainda não sinto carinho, amor, compreensão por vocês.
ainda não sei o que fazem aqui. em mim. por mim. para mim.
hoje quero amanhã. puxar a linha até estourar. sempre quis saber o que tem do outro lado do
não pode. sempre ando por aí dando a cara para bater em portas de vidro, em cordas que imagino cobras. querendo viver o que acontece depois que se passa do ponto entre parecer e ser. de verdade.
não é errado saber sentir. saber ter coragem de fazer. dizer. olhar. mas será que sei? se não, tudo bem.
tá tudo bem.
Monday, 22 October 2012
Monday, 24 September 2012
o melhor de billie holiday.
todos os dias milhões de pessoas chegam e vão embora desta cidade-luz.
vejo pela quantidade de malas de rodinha nos metrôs.
os rostos são sempre os mesmos: assustados, perdidos.
e definitivamente sentindo que querem estar exa-ta-men-te onde estão.
esse lugar que não é nem cá, nem lá. esse lugar chamado
CAMINHO,
ESTRADA,
PRESENTE,
RESPIRAÇÃO.
vejo pela quantidade de malas de rodinha nos metrôs.
os rostos são sempre os mesmos: assustados, perdidos.
e definitivamente sentindo que querem estar exa-ta-men-te onde estão.
esse lugar que não é nem cá, nem lá. esse lugar chamado
CAMINHO,
ESTRADA,
PRESENTE,
RESPIRAÇÃO.
Saturday, 15 September 2012
arrêt demandé.
paris não cabe em palavras.
paris não cabe num poema.
paris não cabe sequer em mim.
quando estamos apaixonados.
quando queremos dar uma estrela no meio da grama.
quando nos embriagamos de pessoas, sons, cores.
flores, mercado de rua, jardins, boina, meia, olhos claros, café, montmartre, bar, burlesco,
frio, botas, arrêt, janela, cachecol, sol, escadaria, pinturas, verde, rock, portão automático,
abajour, carinho, metrô, resnais, o saxofone, cigarrét.
- como você tá?
- paris. tranquilamente paris.
paris não cabe num poema.
paris não cabe sequer em mim.
quando estamos apaixonados.
quando queremos dar uma estrela no meio da grama.
quando nos embriagamos de pessoas, sons, cores.
flores, mercado de rua, jardins, boina, meia, olhos claros, café, montmartre, bar, burlesco,
frio, botas, arrêt, janela, cachecol, sol, escadaria, pinturas, verde, rock, portão automático,
abajour, carinho, metrô, resnais, o saxofone, cigarrét.
- como você tá?
- paris. tranquilamente paris.
Wednesday, 29 August 2012
funil.
não assimilo mais absolutamente nada
rostos, nomes, fotos, jeitos, sexo, cores, gritos e terrores
nada é claro, nada é mastigado e validado
apenas engulo o que me aparece
e sinto que começarei a vomitar tudo isso
não mais entrará, nem sequer de maneira caótica e ácida.
simplesmente será negado, regurgitado.
o que dessa antropofagia com meu ser restar,
o que disso restar, é o que realmente me vale a pena,
me vale a calma,
me vale a alma.
no fatídico dia, na porta de buraco onde eu morria aos poucos,
havia uma frase arrebentada.
canetinha vermelha, completamente desbotada:
NADA QUE VALHA TANTO.
rostos, nomes, fotos, jeitos, sexo, cores, gritos e terrores
nada é claro, nada é mastigado e validado
apenas engulo o que me aparece
e sinto que começarei a vomitar tudo isso
não mais entrará, nem sequer de maneira caótica e ácida.
simplesmente será negado, regurgitado.
o que dessa antropofagia com meu ser restar,
o que disso restar, é o que realmente me vale a pena,
me vale a calma,
me vale a alma.
no fatídico dia, na porta de buraco onde eu morria aos poucos,
havia uma frase arrebentada.
canetinha vermelha, completamente desbotada:
NADA QUE VALHA TANTO.
Saturday, 18 August 2012
meu amigo sergio mello é um filho da puta. suas poesias são lindas demais para se aguentar:
intimação
bastam os olhos alheios
se fecharem feito garagens
o cheiro do silêncio
vestir-se de instante
pra que eu me transforme
no contorcionista do pavor
tenho um bichinho de estimação
chamado Tristeza
e todos os dias escovo seus pêlos crespos
e o alimento
com pão
lágrimas
e insanidade
_sergio mello
intimação
bastam os olhos alheios
se fecharem feito garagens
o cheiro do silêncio
vestir-se de instante
pra que eu me transforme
no contorcionista do pavor
tenho um bichinho de estimação
chamado Tristeza
e todos os dias escovo seus pêlos crespos
e o alimento
com pão
lágrimas
e insanidade
_sergio mello
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