Saturday, 8 December 2018

the misfit girl.

we will open a free bar.
oh, really?
isso é ótimo como cavalos lancinantes correndo
pelo céu de noite escura
ela não se encaixa em qualquer modelo, quadro, moldura
conceito, moda, tipinhos, nada.
na
da.
a não ser em cavalos lancinantes correndo
pelo céu da noite escura
queria que você visse
olhos brilhando e pupilas dilatadas
cuidado, hein!
pode deixar. já estive em piores
we will open a free bar.
thank you, mate.
thanks a lot.


Monday, 24 September 2018

ação.

com ele, o tempo tem um outro tempo
manhã, tarde e noite estão meio borradas umas nas outras
os dias não são contados por números, mas por acontecimentos
isso te faz perder um pouco a noção da época do ano em que você está
e de que hoje é segunda ou sábado
e isso é bom. eu gostava disso. eu gosto.
em tempos atuais, isso me faz bem. me afasta da 'vida normal'.
com ele, nada é normal. tudo se faz por - nem mais, nem menos - AÇÃO.

Monday, 20 August 2018

Friday, 4 November 2016

limítrofe.

tenho tomado 2, 3 calma-dores por dia.
antigamente vinicius, allen ginsberg,
cazuza, kerouac, keith richards, dean moriarty,
elis, sid vicious, martin amis, ian curtis,
iggy pop, de niro, felinni, clara nunes, cartola,
rimbaud, basquiat... enfim, todo povo do babado
que voava mais alto que avião indo pra europa
antigamente esse povo tomava coisas
pra excitar, alucinar, acelerar, ranger os dentes
tinha muita coisa pra ser violada, acontecendo,
pra se fazer, se rebelar.
tenho a sensação de que o mundo girava mais devagar
calmo.
logo, eles, os artistas e misfits em geral
precisavam contrapor com muita loucura, a mil, rapidez,
para criar suas santas obras-primas.
cazuza, até quando tava down em mim,
era tesudo, excitante.
hoje não quero ver o que tem lá fora.
lixo. escuro. podridão
não tenho muitos amigos fiéis
percebi que só tive um homem que me amou de verdade na vida
quando passo sombra com glitter
é quando mais sei que não me amo
e não amo nada que vejo lá(fora).
3, 4 calma(dores)
porque hoje em dia
pelo menos pra mim
é melhor não ver.
olha, vê. saramago, neruda, che
mundo girando devagar
olha, vê!
escuta o que eu tô dizendo:
não olha.



Thursday, 1 October 2015

deslize até dormir.

quando a noite cai
ela gosta do chão molhado
de temporal que passou pela tarde
das folhas secas anunciando inverno
quando a noite cai
o frio que passa por sua boca
a deixa mais deslizante do que nunca
desliza boca
desliza corpo
desliza copos
deslize, meu amor, deslize
vá pelo vento
vá pelos sorrisos que saem sem querer
estenda seus dedos e vá pelo que está mais gelado
pelo dedo-de-moça-de-anjo
quando a noite cai
ela se transforma em cabaré,
em taças de vinho,
em batom escuro.
quando a noite cai,
deslize, meu amor, deslize
vá pelo vento
vá pelo vento
                .......veeeeeento.


Tuesday, 5 August 2014

cama elástica.

tenho tido um interesse vertiginoso pelas coisas e pessoas.
com a mesma violência que chego, quero ir embora.
nada completa, nada satisfaz, nada me prende, nada me comove da maneira que deveria.
tenho entrado e saído de lugares, pessoas, copos, corpos, mentes, bocas, momentos, caminhos, com o mesmo impulso de uma mola.
ou de uma droga.
quando penso em ir, já voltei, fui embora.
buscando outro
o outro
a outra

ali
aqui
pra lá
do lado
tão longe
tão perto
procuro, procuro, procuro.
acho que amo,
não amo mais
o que quase é, na verdade, nunca foi.
tenho mergulhado de cabeça,
limpado o sangue
e procurado outro lugar para saltar.
chutado latinhas e reclamado que ainda não sangrei o suficiente.
tenho vivido uma vida bem estranha.