Monday, 24 September 2018

ação.

com ele, o tempo tem um outro tempo
manhã, tarde e noite estão meio borradas umas nas outras
os dias não são contados por números, mas por acontecimentos
isso te faz perder um pouco a noção da época do ano em que você está
e de que hoje é segunda ou sábado
e isso é bom. eu gostava disso. eu gosto.
em tempos atuais, isso me faz bem. me afasta da 'vida normal'.
com ele, nada é normal. tudo se faz por - nem mais, nem menos - AÇÃO.

Monday, 20 August 2018

Friday, 4 November 2016

limítrofe.

tenho tomado 2, 3 calma-dores por dia.
antigamente vinicius, allen ginsberg,
cazuza, kerouac, keith richards, dean moriarty,
elis, sid vicious, martin amis, ian curtis,
iggy pop, de niro, felinni, clara nunes, cartola,
rimbaud, basquiat... enfim, todo povo do babado
que voava mais alto que avião indo pra europa
antigamente esse povo tomava coisas
pra excitar, alucinar, acelerar, ranger os dentes
tinha muita coisa pra ser violada, acontecendo,
pra se fazer, se rebelar.
tenho a sensação de que o mundo girava mais devagar
calmo.
logo, eles, os artistas e misfits em geral
precisavam contrapor com muita loucura, a mil, rapidez,
para criar suas santas obras-primas.
cazuza, até quando tava down em mim,
era tesudo, excitante.
hoje não quero ver o que tem lá fora.
lixo. escuro. podridão
não tenho muitos amigos fiéis
percebi que só tive um homem que me amou de verdade na vida
quando passo sombra com glitter
é quando mais sei que não me amo
e não amo nada que vejo lá(fora).
3, 4 calma(dores)
porque hoje em dia
pelo menos pra mim
é melhor não ver.
olha, vê. saramago, neruda, che
mundo girando devagar
olha, vê!
escuta o que eu tô dizendo:
não olha.



Thursday, 1 October 2015

deslize até dormir.

quando a noite cai
ela gosta do chão molhado
de temporal que passou pela tarde
das folhas secas anunciando inverno
quando a noite cai
o frio que passa por sua boca
a deixa mais deslizante do que nunca
desliza boca
desliza corpo
desliza copos
deslize, meu amor, deslize
vá pelo vento
vá pelos sorrisos que saem sem querer
estenda seus dedos e vá pelo que está mais gelado
pelo dedo-de-moça-de-anjo
quando a noite cai
ela se transforma em cabaré,
em taças de vinho,
em batom escuro.
quando a noite cai,
deslize, meu amor, deslize
vá pelo vento
vá pelo vento
                .......veeeeeento.


Tuesday, 5 August 2014

cama elástica.

tenho tido um interesse vertiginoso pelas coisas e pessoas.
com a mesma violência que chego, quero ir embora.
nada completa, nada satisfaz, nada me prende, nada me comove da maneira que deveria.
tenho entrado e saído de lugares, pessoas, copos, corpos, mentes, bocas, momentos, caminhos, com o mesmo impulso de uma mola.
ou de uma droga.
quando penso em ir, já voltei, fui embora.
buscando outro
o outro
a outra

ali
aqui
pra lá
do lado
tão longe
tão perto
procuro, procuro, procuro.
acho que amo,
não amo mais
o que quase é, na verdade, nunca foi.
tenho mergulhado de cabeça,
limpado o sangue
e procurado outro lugar para saltar.
chutado latinhas e reclamado que ainda não sangrei o suficiente.
tenho vivido uma vida bem estranha.

Monday, 4 August 2014

buraco do minhocão. uma noite qualquer de 2014.

Ele entrou na minha vida como um acidente de carro.
Desses que depois de dois dias você ainda se pergunta que caralho acabou de acontecer.
Só percebi que seus olhos eram verdes e sua alma desgarrada depois de algumas horas.
Depois de gritarmos nas paredes da cidade o quanto tudo não faz o menor sentido.
Mais, eu. Menos, ele.
Comigo, frases descontroladas e revolta. Com ele, desenhos de flores, sol e mulheres nuas.
Fizemos um pacto, sem palavras, de viver como se fossemos morrer. Beber, rir, dormir, brigar, falar, transar, odiar, amar, des(d)enhar, xingar, comer, abraçar.
Enterramos um Sabiá na praça com tristeza. Fizemos sexo descontroladamente embaixo do chuveiro com tesão.
Tiramos cartas de baralho no porão de uma festa, pixamos juntos a parede descascada.
Ele me roubou um beijo e me olhou como se tivesse acabado de beber kriptonita e perder todas as forças de de um super-homem.
Dormimos no tapete de nuvens.
Lemos poemas bêbados e malditos.
Pulamos muros, voamos casas, invadimos a natureza.
Trocamos de boné.
Trocamos de alma.
Atravessamos avenidas da madrugada com carros descontrolados só para sentir se realmente conseguiríamos atravessar.
Ele puxa meu limite em um grau muito maior do que meu limite, que já é muito, muito, muito...
Desconfigurado.
Ele tem uma loucura linda e perigosa. Absolutamente uma cópia de mim, aquele outro ‘mim’. Aquele, sabe? Aquele que não mostro para quase ninguém.
Por que não?
Quem disse que não?
Vivemos em cima disso. Gozamos por isso.
Lembrei das perguntas, tentando me decidfrar. Das mentiras, tentando me acalmar.
Vivemos como se fossemos morrer.
Mais, eu. Menos, ele. Eu acho.
Ele é pai e filho. Bom e mau. Egoísta e generoso.
A incoerência viva. Tão perdido, tão certo do que quer, tão doído, tão real, tão forte e tão, mas tão fraco. Tão fantasioso, tão mil pessoas e lugares e ideias e sonhos e armadilhas. Tão amor, brilho nos olhos, carinho na mão.
Tão esperto. Tão ingênuo.
Fizemos um pacto, sem palavras, de viver como se fossemos morrer.
Um acidente de carro sem vítimas. Em que vai sobrar apenas uma foto velha e amarelada, em uma estrada de praia, com a gente no capô do carro, sorrindo pra câmera e segurando um pneu em cada mão. Um-em-cada-mão.
Foi um belo acidente.


















pic. joão baptista lago