Friday, 4 November 2016

limítrofe.

tenho tomado 2, 3 calma-dores por dia.
antigamente vinicius, allen ginsberg,
cazuza, kerouac, keith richards, dean moriarty,
elis, sid vicious, martin amis, ian curtis,
iggy pop, de niro, felinni, clara nunes, cartola,
rimbaud, basquiat... enfim, todo povo do babado
que voava mais alto que avião indo pra europa
antigamente esse povo tomava coisas
pra excitar, alucinar, acelerar, ranger os dentes
tinha muita coisa pra ser violada, acontecendo,
pra se fazer, se rebelar.
tenho a sensação de que o mundo girava mais devagar
calmo.
logo, eles, os artistas e misfits em geral
precisavam contrapor com muita loucura, a mil, rapidez,
para criar suas santas obras-primas.
cazuza, até quando tava down em mim,
era tesudo, excitante.
hoje não quero ver o que tem lá fora.
lixo. escuro. podridão
não tenho muitos amigos fiéis
percebi que só tive um homem que me amou de verdade na vida
quando passo sombra com glitter
é quando mais sei que não me amo
e não amo nada que vejo lá(fora).
3, 4 calma(dores)
porque hoje em dia
pelo menos pra mim
é melhor não ver.
olha, vê. saramago, neruda, che
mundo girando devagar
olha, vê!
escuta o que eu tô dizendo:
não olha.