Thursday, 27 November 2008

lampejo

"quem tem solidariedade hoje em dia sem cobrar nada"

.se nada mais der certo.

filme de josé eduardo belmonte

corram atrás!

Maria & João

Tenho muitas saudades do seu jeito simples de ser. Convivendo quase todo dia com pessoas (que eu chamo carinhosamente de) "escrotinhas", pretenciosas ao extremo, falsas, hipócritas e sonsas (ah! deus, como eu odeio gente que se faz de sonsa!!! se faz de fofinha, a pessoa mais gracinha do mundo, como odeio), convivendo todo dia com essas pessoas (sim, posso escolher não conviver mais e estou cuidando disso), sinto muita falta do seu SER SIMPLES.

Claro que tem dias que vc. me irrita demais, me irrita profundamente com coisas que fala, do modo como fala e, mais ainda, com certas atitudes que vc. tem - yep, tem dias que vc. me cansa. pego birra, sabe? dias que não quero te ver nunca mais, dias que quero sacudir vc. e dizer "Acorda! Faz alguma coisa!" Mas... devo admitir... no geral... hum... no geral, vc. é simplesmente simples e encantador, meu caro colega.

Que coisa maluca é essa que faz com que 2 corpos (e incluo a mente e a alma nisso, claro!), com composições químicas diferentes, experiências diferentes, vivências diferentes, que coisa maluca é essa que faz com que esses 2 corpos, quando em contato, se tornem uma química só que, insuportavelmente, não conseguem não se atrair? 2 compostos que se misturam, se diluem, se embriagam, se complementam, se atraem profundamente e não conseguem mais (ou não querem, mesmo que por minutos apenas) se separar?

Que coisa maluca é essa da tão simples e misteriosa "química perfeita" entre 2 corpos? Isso não tem como explicar, essa atração magnética desgovernada... ou melhor, acho que a física quântica deve responder isso linda... e quimicamente. Como tenho preguiça de física (sempre tive), fico com as sensações e as não menos importantes (muito pelo contrário) emoções. Fico com o simples. Fico com o SEU simples. Com o seu SER SIMPLES. Fico com a saudade da conversa, simples, risonha, de olho no olho, mãos no coração e na alma, a conversa da noite estrelada e da nota sonora perfeita no velho sofá de veludo azul.

Antes que eu acabe e não me caiba mais aqui, faço um pedido: não responda isso não, João. Não responda. Tenho medo da sua resposta e isso é só um desabafo. Não responda não João. Isso é só um desabafo de Maria.

Sunday, 23 November 2008

autenticidade

.: Confesso que tinha uma grande preguiça das peças do Zé Celso e dele próprio. Sexta fui, finalmente, ver algo lá: "Os Bandidos". Retiro toda a minha preguiça. É maravilhoso, imperdível. Conheci o Zé na saída; ele é apenas um cara (já bem senhor) gente finíssima, disposto pra vida e com-ple-ta-men-te apaixonado pelo que faz - isso já o torna irresistível. Não percam.

.: Assisti 2 DVDs de duas mulheres, cada uma a seu tempo, que partiram de relacionamentos totalmente auto-destrutivos e suas decepções para criar obras-primas. Do caos, conseguiram criar e se tornar inesquecíveis com o que fizeram. Sempre achei que para sair por aí fazendo e acontecendo com seu 'pau gigante' vc. REALMENTE precisa ter criado, em algum momento da sua vida, uma 'pica de ouro'. A pica de ouro de Camille Claudel foram suas esculturas e a de Amy Winehouse, são sua voz e suas músicas. Em comum, a atitude perante a vida que também tiveram e têm como 'de ouro'. O CD 'Back to Black' não foi produzido - ele nasceu de dentro da Amy, das suas entranhas, é mais real impossível - e por isso as pessoas gostam.

Duas mulheres inesquecíveis, inspirações pra mim, força e coragem - REAIS. Uma foi tida como louca. A outra, é tida como diva. É de se pensar...

Monday, 10 November 2008

exaustão

bem cansada de tudo e de todos,
foi-se esvaindo que nem pó.
pó branco, pó com pó e areia.
pó como a palavra pó sugere
que desapareça num piscar
de olhos tristes e vermelhos.
bem cansada, esvaiu-se
triste e vermelha por
entre as nuvens de chuva ácida.

onde vivo

"um amontoado de códigos cifrados de técnicas ou de discursos que só ecoam"

huuuummmm... há algo de muito sentido no ar.

Tuesday, 4 November 2008

diálogo inútil do abismo com a queda.

"Ela não aguentou". Me disse isso segurando na minha mão. Na outra mão, um saquinho de calmantes. "Não deu. Ela não aguentou." O choro saiu seco, único, como uma tosse. Saiu de uma vez para não voltar nunca mais durante aquela semana inteira.
Anos se passaram. Penso nela dentro de camarins e em palcos aconchegantes e com pouca luz. Penso nela quando dirijo a mil por hora no meio da noite. Penso nela toda vez que não caibo em mim e explodo; o mesmo choro: seco, único, como uma tosse. Penso nela quando vejo (sempre) que estou e sou sozinha. E quando estou sozinha falo, entre soluços: "Filha duma puta. Foi egoísta até na hora de se matar."
Quem vai ser a próxima garota linda, saudável e inteligente a se jogar do alto de um prédio numa noite fria dessa cidade só para mostrar desesperadamente que não conseguiu (ou não soube) lutar pelo seu lugar dentro do lugar da luta e, muito menos, conseguiu lidar com o sutil e às vezes caótico e complexo 'versus' de tudo?
Penso nela em noites frias. E se numa dessas noites ela estivesse do meu lado, eu diria: "Aguenta. Aguenta porque eu estou aqui." Saudades, meu anjo. Saudades.
E no dia seguinte, quando acordei, vi que - mesmo quando não quero - sou como o elefante. Levantei, escovei os dentes, tomei café e recomecei tuuuuuuuudo de novo. a bolsa. o bilhete. o tênis. a rua. as pessoas. os sonhos. o medo. a dúvida. a mensagem. a esperança. a alegria. a dor. tuuuuuuudo de novo.
Foi então que ali, descendo a rua, com o vento soprando leve no rosto, eu quase esbocei um sorriso... quase.
“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.”