Tuesday, 14 October 2008

heaven

Quem ainda não foi ver o Marião e a banda de rock dele (Saco de Ratos Blues) tocar às terças no teatro X, nunca viu um dos melhores shows de rock que eu já vi na minha vida. Aquilo não é um show, aquilo é um soco na cara, aquilo é um templo, é um clima, é liberdade! Aquela sala preta minúscula do X vira um boteco, um cabaré, um puteiro, uma jam, vira o céu, o inferno, uma bebedeira com música, com ator, com guitarrista, com fumaça, com copo, eu sei lá o que é! Mas é bom DEMAIS. Acredite em mim, só dessa vez: É DE FODER DE BOM.

Vc. não sabe do que eu estou falando. Não, vc. não sabe. Só indo lá e vivendo aquilo. Vc. não sabe o que é o Mário vomitando "Nossa vida não vale um chevrolet" e a banda sangrando junto. O Picanha... porra, o Picanha cara. Eles reverberam as músicas até o seu último fio de cabelo e sua última idéia do que é rock ficar alucinada de tão confusa. Eles berram, sussurram, trepam a música. Entra gente no meio e detona tudo, Peréio pegando o microfone e falando frases que só Peréio fala, Marcelo Montenegro recitando um poem enquanto um menino (que eu não conhecia) chamado Marcelo Watanabe bota fogo com álcool na sua guitarra acompanhando o poema, uma loira entra com tudo e solta a voz mais fodida de linda do mundo, e pessoas entrando e saindo daquele palco e tendo seus instintos mais reais, mais sinceros. Instintos que ninguém segura, são todos jorrados ALI. AGORA. Isso é lindo.

Tudo assim, tudo ao mesmo tempo agora, mas absurdamente harmonico, absurdamente inebriante. Uma banda com a banda e com quem tá vendo. A banda é tudo, é todos, é o que tá acontecendo ali, agora. Tudo entra ali e tudo destrói. Eles derrubam e arrebentam todas as quatro paredes daquele teatro e ainda botam fogo, literalmente, no puteiro. Se ali é o inferno, é o melhor lugar do mundo para se lavar a alma - de todas as maneiras que vc. quiser.

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